Flores de Julho – Styrax ferrugineus

Entre os meses de maio e julho, as simpáticas e cheirosas flores do Styrax ferrugineus desabrocham para o mundo. Com sua delicadeza e seu aroma delicioso, essas flores de cara ganharam seu lugar entre as minhas favoritas!

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Flores do Styrax ferrugineus. Foto tirada em 02/Julho de 2012 em São Carlos (SP)

 

O Styrax ferrugineus, também conhecido como laranjinha do cerrado – por conta da aparência e do cheiro de suas flores – é uma árvore que vive nos cerrados brasileiros. Sua distribuição vai desde as terras maranhenses, ao norte, até o estado do Paraná, ao sul: no meio do ano, as pétalas brancas do Styrax perfumam os ares de grande parte do Brasil.

Várias aves, como o topetinho-vermelho da foto, apreciam o néctar do Styrax

 

As flores apresentam cinco pétalas, e os grandes estames amarelos produzem muito pólen. Beija-flores e abelhas e disputam pelo néctar das flores, que se apresenta em abundância e pode ser usado para a produção de mel. Enquanto procuram por alimento, esses animais podem acabar promovendo a polinização do Styrax ferrugineus.

Abelhas consomem o pólen e o néctar do Styrax, e podem ser as polinizadores dessa espécie de planta.

 

O tronco do Styrax produz uma resina aromática que é usada como incenso em cerimônias religiosas. Existem relatos de que essa planta pode ter propriedades medicinais contra alergias, febres e como antisséptica.

Essas foram algumas informações sobre esta que é uma das minhas árvores do cerrado favoritas! Espero que tenham gostado dela também!

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Carol

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Flores de Junho – Tibouchina mutabilis

Manacá da serra…

Com um nome tão singelo, já podemos imaginar a beleza dessa planta. Por sua floração deslumbrante e tamanho pequeno, a variedade anã do manacá da serra é bem comum em calçadas e jardins das cidades brasileiras, onde floresce nos meses secos do meio do ano. Um pouco de atenção e com certeza você vai encontrar uma arvorezinha carregada de flores brancas e lilases, agraciando as ruas de seu bairro.

O manacá da serra, espécie muito usada na arborização urbana

Por ser bem maior, a variedade normal dessa espécie não é muito usado no paisagismo e, ao contrário das plantas anãs, ela floresce nos meses chuvosos do ano.

O manacá da serra é muito próximo de outra planta que já conhecemos aqui no Blog, a quaresmeira. Tanto o manacá da serra quanto as espécies de quaresmeiras pertencem ao mesmo gênero, Tibouchina. Isso quer dizer que elas são bem aparentadas.

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O manacá da serra é uma planta aparentada à quaresmeira. Ambas pertencem à família Melastomataceae e ao gênero Tibouchina.

Mas existe uma diferença que salta aos olhos quando comparamos um manacá da serra com uma quaresmeira: as flores das primeiras mudam de cor conforme amadurecem! Logo que seus botões abrem, suas cinco pétalas são alvas; mas com o passar dos dias, elas se tornam lilases. O efeito é uma delicada combinação de cores, uma árvore que mais parece um buquê de flores vivo.

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As cores das flores variam entre o branco e o lilás.

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Carol

Natureza hermafrodita

Você pode nem imaginar, mas a mudança de sexo – ou a presença dos dois sexos ao mesmo tempo no mesmo organismo – é algo muito comum na natureza. Os seres vivos que apresentam tanto estruturas reprodutivas masculinas como femininas são chamados de hermafroditas (em alusão ao deus grego Hermafrodito, filho dos deuses Hermes e Afrodite, que não tinha sexo definido).

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Estátua do deus Hermafrodito. Imagem: http://ocw.unican.es/humanidades/mitologia-greco-romana/mitologia-greco-romana/Materiales%20de%20clase/modulo-5

Na natureza, os hermafroditos podem ser do tipo simultâneo ou não. Os hermafroditos simultâneos são seres que se comportam ao mesmo tempo como fêmeas e como machos. Já os hermafroditas não simultâneos são aqueles que tem os comportamentos feminino e masculino separados ao longo do tempo. Os hermafroditas não-simultâneos podem ser protândricos ou protogínicos.

Seres protândricos:
Os seres protândricos (proto = primeiro; andro = masculino) são aqueles em que maturação das estruturas sexuais masculinas precede a maturação das estruturas femininas. A maioria das esponjas do mar (animais do Filo Porifera), por exemplo, é protândrica.

A maioria das esponjas do mar é protândrica. Foto retirada de: http://cienciasforadaescola.blogspot.com.br/

Seres  protogínicos:
Os seres protogínicos (proto = primeiro; gino = feminino), ao contrário dos protândricos, são aqueles em que maturação das estruturas sexuais femininas acontece antes da maturação das estruturas masculinas. As espécies de garoupas (peixes da família Epinephelinae), por exemplo, são protogínicas.

Uma garoupa vermelha (Cephalopholis miniata). As garoupas são peixes protogínicos. Foto: http://waterworld.pk/index.html

Hermafroditas vegetais:

O hermafroditismo e a mudança de sexo é algo bem mais comum entre os vegetais do que entre os animais. A maioria das espécies de plantas apresenta flores com estruturas masculinas (androceu) e femininas (gineceu) e, portanto, são hermafroditas.

Além disso, dependendo da espécie, a maturação da parte masculina pode ocorrer antes ou depois da maturação da parte feminina, o que torna as flores protândricas ou protgínicas. Para as plantas com flores, mudar de sexo é uma estratégia muito importante para evitar a autopolinização e promover a polinização cruzada. E, assim como acontece no reino animal, entre os vegetais existem espécies protândricas e protogínicas.

As espécies de Helianthus (como o girassol), por exemplo, apresentam flores protândricas:

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O Helianthus paradoxus, com suas flores protândricas. Foto por Robert Sivinski: http://calphotos.berkeley.edu/cgi/img_query?enlarge=0000+0000+1004+0070

Já as epécies de Annona, como a fruta do conde, têm flores protogínicas. Note abaixo como os múltiplos estigmas da flor estão brilhantes, indicando a maturidade da parte feminina da flor:

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©W. D. Hawthorne. Uma flor de Annona glabra em sua fase feminina. Dentro de horas, a flor protogínica entrará em sua fase masculina. Foto de William D. Hawthorne: http://herbaria.plants.ox.ac.uk/vfh/image/index.php?item=109

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Carol

Polinização cruzada

Nesse post, vou explicar como acontece a polinização cruzada. Como o pólen produzido pelas flores de uma planta pode viajar e chegar a flores distantes, em outras plantas? Como, se as plantas não se mexem!?

A capacidade de se movimentar tem uma importância fundamental na vida de grande parte dos seres vivos. Por exemplo: muitos animais podem se locomover de uma área com pouco alimento para regiões com mais recursos; podem “fugir” do inverno que assola um local migrando para lugares mais quentes. Existem animais que andam quilômetros à procura de parceiros sexuais; que cruzam oceanos para deixar seus ovos ou ter seus filhotes em locais adequados.

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Quando chega o inverno no hemisfério norte, várias espécies de andorinhas migram para o sul, onde começa o verão. E vice-versa. Em locais com climas mais quentes, as andorinhas encontram mais alimentos; e seus filhotes sobreviverem melhor. Foto de Streptoprocne zonaris retirada de: http://www.oiseaux.net/photos/marc.chretien/martinet.a.collier.blanc.1.html

As plantas passam pelos problemas que os animais podem contornar com a locomoção: elas também sofrem com a falta de recursos do solo e com o frio; elas também precisam de parceiros sexuais que podem estar distantes; e necessitam que suas sementes cheguem num local adequado para germinar e crescer… São muitas as barreiras a serem vencidas, e sem poder sair do lugar!

Se as plantas não se mexem, como elas podem encontrar os seus parceiros reprodutivos distantes? Elas não podem marcar um encontro romântico, com jantar a luz de velas; não podem se tocar; mas têm de se reproduzir. Bom, nessa hora, as plantas precisam de precisam de alguém que se mova por elas, e esse “cupido” é o vetor de polinização.

Os vetores de polinização podem ser abióticos ou bióticos.

Os vetores abióticos são aqueles que não tem vida, como a água e o vento. A imagem a seguir mostra um caso impressionante de polinização pela água: as flores masculinas e pequenas da planta aquática Vallisneria spiralis boiam e levam seu pólen às grandes flores femininas, onde acontece a polinização.

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Polinização pela água em Vallisneria spiralis: pequenas flores masculinas boiam e levam seu pólen até as grandes flores femininas. Foto: http://www.plantbiology.siu.edu/PLB479/Lectures%20PLB479/IsolatingMechs.html

Já os vetores bióticos são seres-vivos, animais que perambulam por entre flores, levando o pólen de uma planta a outra. Os vetores bióticos são muitíssimo importantes, pois são responsáveis pela polinização da grande maioria das plantas com flores. Animais como mariposas, beija-flores, besouros, moscas e até mesmo morcegos figuram entre os principais polinizadores que conhecemos. Mas as grandes mestras da polinização no mundo todo são as abelhas, que evoluíram especialmente para essa vida de cupido

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As abelhas são os maiores polinizadores que existem! Foto de Martin Ruegner, retirada de: http://www.australiangeographic.com.au/journal/climate-change-hinders-bee-pollination.htm

 

FOI SEM QUERER QUERENDO…

Mas devemos tomar cuidado: os polinizadores não carregam pólen de um lado para o outro porque querem ajudar as pobres plantas a se reproduzir! Na verdade, os animais que participam desse processo tem interesses próprios, e a polinização é apenas uma consequência disso.

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Enquanto se alimenta de néctar, o beija-flor nem percebe que está polinizando a planta. Foto retirada de: http://bedandbirds.com/tag/birds/

Mas que tanto interesse os polinizadores tem nas flores? É simples: as flores oferecem muitos recursos úteis aos animais, como alimentos e abrigo. Pólen, néctar, pétalas, resinas e óleos são fontes nutritivas importantíssimas para os polinizadores; as abelhas, por exemplo, dependem totalmente desses recursos florais para sobreviver.

Além de recursos interessantes, as flores podem também ter cores, odores e formatos atraentes, que “chamam a atenção” dos animais. Essas sinalizações indicam a disponibilidade de recursos aos polinizadores; além de facilitar a busca incessante desses animais pelas valiosas flores.

Então, enquanto os polinizadores cuidam da sua própria vida, buscando alimentos e proteção, sem nenhuma intenção em ajudar ou atrapalhar a vida das plantas… o pólen de uma flor cai sobre o corpo do animal e passa para o estigma de outra. A polinização acontece.

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O pólen cai sobre o corpo do polinizador e chega ao estigma de outras flores enquanto o animal busca por alimento ou abrigo. Foto: http://www-honey.com/bee-pollen-benefits/

Algo interessante de notar nessa história toda de polinização, é que tanto as plantas quanto os animais saem ganhando. As plantas ganham porque podem “cruzar”, trocar material genético: com o cruzamento, elas podem produzir frutos, sementes e descendentes mais numerosos e vigorosos. Os animais saem ganhando porque podem obter seus alimentos a partir das flores, e em alguns casos eles podem se proteger e se reproduzir dentro delas.

Podemos dizer, então, que a polinização é uma relação de mutualismo entre plantas e animais: quando essa interação acontece, ambos os lados envolvidos saem beneficiados. Mais que isso, muitas vezes um lado precisa do outro para garantir sua sobrevivência.

Sobre o assunto, vale a pena dar uma conferida nesse vídeo. Lindíssimo!

Polinização

“Polinização” é uma palavra bem conhecida do nosso dia-a-dia. Quem cuida de jardins, cria orquídeas, ou produz frutos e sementes muito provavelmente já conhece esse termo. Aqui, vou explicar rapidamente o que ele quer dizer.

A polinização nada mais é que a transferência do pólen da parte masculina até a parte feminina da flor. O pólen é produzido e armazenado nas anteras, estruturas forma de saco que ficam localizadas no ápice da parte masculina da flor. Após sua maturação, os grãos de pólen devem ser levados até o estigma, a abertura da parte feminina da flor.

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Trata-se de um processo que acontece na grande maioria das espécies de plantas. A polinização permite que os gametas masculinos e femininos das plantas se encontrem; ela precede a fecundação. Daí a sua grande importância no reino vegetal.

Existem três maneiras pelas quais a polinização pode ocorrer:

1. O grão de pólen pode sair da antera de uma flor e chegar ao estigma dessa mesma flor. Esse processo se chama AUTOPOLINIZAÇÃO.
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2. O grão de pólen pode sair da antera de uma flor e chegar ao estigma de outra flor da mesma planta. A esse processo damos o nome de GEITONOGAMIA.
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3. O grão de pólen pode sair da antera de uma flor e chegar ao estigma de uma flor em outra planta da mesma espécie. Essa é a chamada POLINIZAÇÃO CRUZADA.
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Desses três tipos de polinização, o terceiro é o mais importante. A polinização cruzada permite a fecundação entre plantas com constituições genéticas diferentes. Essa mistura genética é muito benéfica para as plantas, pois assim elas podem gerar frutos, sementes e descendentes muito mais vigorosos e saudáveis.

No caso da polinização cruzada, o “encontro” entre o pólen de uma flor e o estigma de outra pode ser bem complexo! Mas, logo em breve, no meu próximo post, vou explicar esse encontro com mais calma!

A classificação da vida

A ação de classificar elementos faz parte da natureza humana. Em nossos guarda-roupas, geralmente guardamos as calças em um canto, as blusas em outro, as meias numa gaveta, etc… Estamos classificando nossas roupas de acordo com seu tipo, sendo que esses tipos são definidos de acordo com o formato e com a função delas.

Dessa maneira, os biólogos, seres humanos que são, criaram um sistema para classificar os seres vivos que tanto estudam. Esse sistema de classificação se chama Taxonomia, palavra que vem do grego: táxis quer dizer classificação, e nómos quer dizer “regra”. A Taxonomia, então, é um conjunto de regras que usamos para classificar os seres vivos; com ela os biólogos criaram as categorias nas quais as espécies são agrupadas.

A categoria mais baixa da taxonomia é a ESPÉCIE, que agrupa seres vivos muito semelhantes entre si:
– nós, seres humanos, somos todos da espécie Homo sapiens;
– já as alfaces são da espécie Lactuca sativa;
– os mais famosos dos coliformes fecais são da espécie Escherichia coli.

Acima da categoria de espécie, temos a categoria de GÊNERO. Cada gênero agrupa uma ou mais espécies que são parecidas entre si:
– o Homem é a única espécie do gênero Homo;
– a alface normal e a alface brava são do gênero Lactuca;
– várias espécies de bactérias estão dentro do gênero Escherichia: E. coli, E. albertii e E. blattae, por exemplo.

A alface comum (Lactuca sativa) e a alface brava (Lactuca virosa): duas espécies do mesmo gênero (Lactuca). Imagens: http://cs.wikipedia.org/wiki/Soubor:Lactuca_sativa-whole_plant_top.JPG e http://www.tranceplants.net/product-info.php?pid122.html

Quando existem vários gêneros parecidos entre si, eles são agrupados na categoria FAMÍLIA:
– os Humanos (gênero Homo) e os chimpanzés (gênero Pan) pertencem à família Hominidae;
– as alfaces (gênero Lactuca) e os girassóis (gênero Helianthus) são aparentados, e pertencem à família Asteraceae;
– as bactérias dos gêneros Escherichia e Salmonella são da família Enterobacteriaceae.

O chimpanzé (Pan troglodytes) e o homem (Homo sapiens) são espécies de gêneros distintos, mas que pertencem à mesma família (Hominidae). O mesmo acontece com os animais que eles abraçam (tigre: Panthera tigris; e gato: Felis silvestris; ambos da família Felidae). Fotos: http://www.funtim.com/dgb.html e http://pets.webmd.com/cats/ss/slideshow-truth-about-cat-people-and-dog-people

Essa classificação de formas de vida, que inclui grupos dentro de grupos, continua acima do nível de família. As famílias parecidas entre si são colocadas dentro de uma mesma ORDEM; já as ordens são colocadas numa mesma CLASSE; as classes, em um FILO ou DOMÍNIO; e os filos em um REINO. Os reinos juntos agrupam todos os seres vivos que pudermos imaginar. Veja o esquema-resumo que fiz para tentar esclarecer toda essa confusão de nomes:

Algo interessante que temos que notar é que a classificação dos seres vivos nesse sistema taxonômico reflete a história evolutiva das espécies. Os organismos muito “aparentados” entre si, são da mesma espécie; os que são pouco “aparentados” são de espécies diferentes no mesmo gênero; os que são ainda menos aparentados, pertencem a gêneros diferentes de uma mesma família, e assim por diante:

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Relação entre a classificação e o parentesco evolutivo de algumas espécies de carnívoros. Esquema retirado do livro “Fundamentos da Biologia Moderna”, de José M. Amabis e Gilberto R. Martho.

Nomes duplos e complicados:

Não sei se vocês perceberam, mas as espécies sempre trazem o nome de seu gênero e mais um nome. Esse tipo de nomenclatura é uma regra. Chama-se “nomenclatura binomial”, foi criada pelo grande naturalista inglês Carolus Von Linnaeus, no século XVIII.

Além disso, outra coisa que devem ter visto é que os nomes de gêneros e espécies aparecem em itálico: essa é outra norma da nomenclatura dos seres vivos.

Talvez o aspecto mais conhecido dos nomes científicos seja o fato de eles serem tão complicados. Todos os nomes científicos devem estar em Latim ou Grego antigo; ou então devem ser latinizados. Isso faz com que cientistas do mundo todo conheçam a mesma espécie pelo mesmo nome, o que evita confusões. Um brasileiro chama de “macieira” uma planta que os ingleses chamam de “appletree” e os franceses chamam de “pomme”… Mas em qualquer lugar do mundo, o nome científico dessa árvore será Mallus domestica.

Para concluir, podemos dizer que a classificação dos seres vivos permite um bom diálogo entre os cientistas, e reflete a história evolutiva (o “grau de parentesco”) das espécies.

Bom, pessoal… O assunto pode ser complicado, mas é muito importante. Espero que todos tenham entendido!

Carol

Flores de Maio – Spathodea campanulata

Spathodea… Esse nome me é familiar”… E é mesmo! Se você já ouviu algumas músicas do Nando Reis, deve ter se deparado com uma que se chama “espatódea”. Mas, afinal, ao que é que o artista se refere? O que é uma espatódea?

 

A espatódea é uma planta aparentada com os ipês e com o cipó-de-São-João. Conhecida também como “bisnagueira” e “tulipa africana”, suas flores são grandes e vistosas. Com certeza você já viu árvores dessa espécie perto da sua casa! Elas são muito populares como plantas ornamentais; estão em calçadas, fazendas, sítios, escolas, terrenos…

Apesar de essa planta ser tão difundida no Brasil, ela não é uma planta nativa! A espatódea é originária das florestas tropicais que existem nas regiões central e ocidental da África; mas o homem a espalhou pelo mundo todo para fins paisagísticos. Hoje em dia, além de ser encontrada na África, essa planta está nas Américas, na Ásia, e na Oceania. Quer dizer… Ela está distribuída ao redor de todo o mundo tropical!

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As bolinhas amarelas indicam a distribuição atual da espatódea pelo mundo. Perceba que elas estão presentes nas partes tropicais e equatorial do globo. Imagem retirada de: http://www.discoverlife.org/mp/20q?search=Spathodea+campanulata

Suas flores são grandes: as cinco pétalas são unidas entre si, compondo uma corola em forma de sino. A cor das flores varia entre o vermelho e o amarelo, as bordas pétalas geralmente são bem amarelas. O interior da flor tem uma combinação de cores contrastantes, que podem ajudar a direcionar os polinizadores até o fundo da flor. Esses padrões de cores que direcionam o polinizador são conhecidas como “guias de recurso”.

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Flores vermelhas de borda amarela, manchadas no interior. Foto retirada do Flickr de Karl Gercens. http://www.flickr.com/photos/karlgercens/3277854180/

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Detalhes. Os cinco lobos correspondem às cinco pétalas fundidas da flor; o interior da corola é mais claro e tem nervuras contrastantes, que podem “guiar” o polinizador. Foto tirada no dia 09/Maio/2012 em São Carlos, SP.

Por falar em polinizador, como a espatódea está espalhada pelo mundo todo, hoje em dia existem muitos tipos de animais responsáveis pela polinização de suas flores. Na sua região nativa, essa espécie é polinizada principalmente por aves “não beija-flores”, como papagaios.

As flores da espatódea desabrocham em cachos que parecem discos: os botões externos do disco abrem primeiro, e os internos abrem depois. Essas inflorescências em forma de disco facilitam muito a vida das aves polinizadoras, pois elas podem pousar sobre os botões ainda fechados para procurar o néctar das flores abertas.

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As flores da borda do disco se abrem antes, e as do interior depois. Uma ave pode pousar sobre os botões florais (marrons) e procurar pelo néctar das flores já abertas. Foto retirada do Flickr de José A. Conde: http://www.flickr.com/photos/ingag/4368226186/

Como espalhamos essa planta pelo mundo todo, em locais em que a espatódea não é nativa os polinizadores podem ser outros. Animais como morcegos, beija-flores e até mesmo lêmures podem fazer a polinização enquanto procuram pelo néctar da flor.

Mas nem todos os animais se dão tão bem em busca de alimento na espatódea. Vários estudos relataram a morte de abelhas que visitam a suas flores. No Brasil, a abelha sem ferrão Scaptotrigona postica, conhecida como tuiuva, é uma grande “vítima” dessa planta. Pesquisadores brasileiros acreditam que uma mucilagem presente no botão floral se mistura com o néctar da flor; tal mucilagem é toxica para as abelhas, que acabam morrendo quando ingerem o néctar. A morte de abelhas nativas pode trazer problemas para o ambiente natural por comprometer a polinização de outras espécies.

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Abelhas mortas dentro de flor de espatódea. Provavelmente, é a mucilagem produzida nos botões florais que intoxica as abelhas. Foto retirada de: http://www.ame-rio.org/2010/06/spathodea-campanulata-por-bob-beeman.html

Em alguns locais do globo, como na Austrália, a espatódea se alastra rapidamente pelas florestas nativas, e é considerada uma praga. No Brasil, o município de Bauru e tem um projeto de lei que visa proibir a produção de mudas dessa espécie.

É claro que a espatódea, bela africana, não é a causa de todos esses problemas. Encantado com a exuberância de suas flores, o Homem levou essa planta para os quatro cantos do mundo; mas esqueceu-se de pensar em como o ambiente e os seres vivos de cada local, que tem uma relação tão delicada uns com os outros, reagiriam à introdução da espécie.

Carol.

PS: para escrever esse texto, usei algumas informações retiradas do seguinte artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71082000000300019&script=sci_arttext

Flores de Maio – Pyrostegia venusta

Muita gente já deve ter visto essa planta trepando em cercas à beira da estrada. As flores alaranjadas de Pyrostegia venusta, conhecida também como “cipó-de-São-João”, estão a toda nessa época do ano, colorindo os campos de todo o Brasil.

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O cipó-de-São-João vai escalando um grande Ipê. Fonte: http://guaranature.blogspot.com.br/2010/07/cipo-de-sao-joao-pyrostegia-venusta

Por florescer justamente nessa época do ano e pelo fato de suas flores serem abundantes vistosas, a Pyrostegia muitas vezes é usada em decorações de festas juninas. É daí que vem seu nome popular, “cipó-de-São-João”. As flores são longas e afiladas, as cinco pétalas são fundidas formando um tubo.

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As pétalas das flores são fundidas em um longo tubo alaranjado

O formato e a grande quantidade de néctar que as flores dessa espécie produzem são muito atrativos aos beija-flores, que acabam por polinizar a Pyrostegia. Aliás, não são só os beija-flores que gostam do néctar dessa planta… Acho que muitos curiosos que estão lendo o post já provaram um pouco desse líquido também!

Beija-flor bebendo néctar de Pyrostegia. Fonte: http://www.flickr.com/photos/wmlub/3773777182

O cipó-de-São-João é uma planta trepadeira: ele se arrasta pelo chão, pelas cercas, sobe em outras plantas, cobre o que estiver pelo caminho. Uma das estruturas que permitem que as trepadeiras cresçam desse jeito, escorando por aí, é a presença de gavinhas. No caso da Pyrostegia, a gavinha é um pedaço da folha que se modificou!

A folha inteira é dividida em três partes, chamadas folíolos. Dois desses folíolos são normais, mas o terceiro é modificado na forma de uma gavinha:

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Uma única folha de Pyrostegia é formada por três partes: dois folíolos normais e um folíolo modificado em gavinha

As gavinhas se enrolam em gravetos, ramos, arames, grama, em tudo! Dessa forma, elas permitem que a planta se escore em outros objetos.

Dizem que o cipó-de-São-João faz bem para a cútis! Não sei se isso é verdade, mas, tradicionalmente, as flores dessa espécie são usadas para o tratamento de vitiligo (manchas brancas que aparecem na pele). Além disso, suas folhas e raízes são remédio contra diarreia. Mas é preciso tomar cuidado, pois a ingestão excessiva dessa planta pode ser tóxica!

Por hoje é só!

Não deixe de observar as flores que aparecem pelo seu caminho (:

As partes florais

Bom, já que vamos falar sobre as plantas que florescem por aí, nada mais útil do que saber um pouco sobre as partes das flores.Image

A função das flores está ligada à reprodução das plantas: elas são nada mais que o órgão sexual das Angiospermas. Esse órgão sexual é dividido basicamente em quatro partes: cálice, corola, androceu e gineceu. Vamos conhecê-las?

1. Cálice: é a parte mais externa da flor. Sua principal função é proteger as partes férteis e mais delicadas da flor, que estão localizadas internamente. O cálice é formado por um conjunto de estruturas chamadas sépalas. Em muitas espécies, as sépalas são pequenas e verdes, não chamam muito nossa atenção; mas, em outras, elas podem ser grandes e coloridas; e, além de proteger as partes internas das flores, atuam na atração de polinizadores.
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2. Corola: é a segunda parte mais externa da flor, “vizinha” do cálice. A corola é muito famosa, colorida e vistosa; todos nós as conhecemos bem! Ela é dividida em estruturas chamadas pétalas, e tem duas funções principais: proteger as partes férteis e internas da flor; e chamar a atenção de quem passa por perto. Chamar a atenção é muito importante para uma planta com flor conseguir se reproduzir, pois elas geralmente dependem de ANIMAIS para tal! Mas ainda vou fazer um post só sobre polinização para explicar melhor essa história!
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3. Androceu: fica interno à corola. O androceu é o conjunto de estames, estruturas sexuais masculinas da flor. Os estames parecem uma antena, e são formados por duas partes: o filete (o “cabo” da antena) e a antera (a “ponta” amarelinha da antena). É nas anteras (a parte amarela) que os grãos de pólen são produzidos.
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4. Gineceu: a parte sexual feminina e mais central da flor. Ele pode ser formado por um ou mais carpelos. A abertura do carpelo se chama estigma; sua parede longa, estilete; já sua base expandida é conhecida como ovário. O estigma é a parte da flor que recebe o grão de pólen e dá condições para que ele germine; o estilete é a parede pela qual o grão de pólen cresce para levar seus gametas; e o ovário, repleto de óvulos, é o local onde ocorre a fecundação.
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É isso aí! São muitos nomes, mas é importante saber que todas essas “coisinhas” existem e desempenham, cada qual, um papel importante para a planta.

Flor mascote!

Como vocês devem ter percebido, o símbolo do blog é uma simpática florzinha! Mas esse não é um desenho qualquer, algo que criei da minha cabeça… Trata-se da representação de uma flor de “Quaresmeira”, que com certeza você já viu por aí!

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Lembrou?

Várias espécies de plantas são conhecidas como “Quaresmeiras”. Elas pertencem ao gênero Tibouchina, e são muito populares.

Olha só como é fácil reconhecer uma quaresmeira! Se ela estiver florida, é mole! Essas plantas produzem um enorme número de flores grandes e roxas, bem características. Cada flor tem cerca de 5cm de diâmetro, e talvez você veja uma abelha grande e preta rodeando perto delas.

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No interior da flor você vai encontrar estruturas masculinas e femininas, sendo que as masculinas lembram uma foice:

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Se a planta estiver sem flores, basta olhar com um pouco mais de atenção para os ramos dela. A primeira coisa que você vai perceber é que as nervuras das folhas são bem curvadas, formando um desenho arqueado; depois, veja que as folhas saem duas a duas dos ramos da árvore; e, finalmente, veja que os ramos tem um formato quadrangular, e não cilíndrico, como costumamos ver em outras plantas:

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Bem, agora você já sabe o que é o símbolo do Blog! E tenho certeza de que vai começar a ver Quaresmeiras por todos os lugares!

Abraços,

Carol

PS: Clique nas fotos para ver imagens maiores!