Flores de Maio – Spathodea campanulata

Spathodea… Esse nome me é familiar”… E é mesmo! Se você já ouviu algumas músicas do Nando Reis, deve ter se deparado com uma que se chama “espatódea”. Mas, afinal, ao que é que o artista se refere? O que é uma espatódea?

 

A espatódea é uma planta aparentada com os ipês e com o cipó-de-São-João. Conhecida também como “bisnagueira” e “tulipa africana”, suas flores são grandes e vistosas. Com certeza você já viu árvores dessa espécie perto da sua casa! Elas são muito populares como plantas ornamentais; estão em calçadas, fazendas, sítios, escolas, terrenos…

Apesar de essa planta ser tão difundida no Brasil, ela não é uma planta nativa! A espatódea é originária das florestas tropicais que existem nas regiões central e ocidental da África; mas o homem a espalhou pelo mundo todo para fins paisagísticos. Hoje em dia, além de ser encontrada na África, essa planta está nas Américas, na Ásia, e na Oceania. Quer dizer… Ela está distribuída ao redor de todo o mundo tropical!

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As bolinhas amarelas indicam a distribuição atual da espatódea pelo mundo. Perceba que elas estão presentes nas partes tropicais e equatorial do globo. Imagem retirada de: http://www.discoverlife.org/mp/20q?search=Spathodea+campanulata

Suas flores são grandes: as cinco pétalas são unidas entre si, compondo uma corola em forma de sino. A cor das flores varia entre o vermelho e o amarelo, as bordas pétalas geralmente são bem amarelas. O interior da flor tem uma combinação de cores contrastantes, que podem ajudar a direcionar os polinizadores até o fundo da flor. Esses padrões de cores que direcionam o polinizador são conhecidas como “guias de recurso”.

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Flores vermelhas de borda amarela, manchadas no interior. Foto retirada do Flickr de Karl Gercens. http://www.flickr.com/photos/karlgercens/3277854180/

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Detalhes. Os cinco lobos correspondem às cinco pétalas fundidas da flor; o interior da corola é mais claro e tem nervuras contrastantes, que podem “guiar” o polinizador. Foto tirada no dia 09/Maio/2012 em São Carlos, SP.

Por falar em polinizador, como a espatódea está espalhada pelo mundo todo, hoje em dia existem muitos tipos de animais responsáveis pela polinização de suas flores. Na sua região nativa, essa espécie é polinizada principalmente por aves “não beija-flores”, como papagaios.

As flores da espatódea desabrocham em cachos que parecem discos: os botões externos do disco abrem primeiro, e os internos abrem depois. Essas inflorescências em forma de disco facilitam muito a vida das aves polinizadoras, pois elas podem pousar sobre os botões ainda fechados para procurar o néctar das flores abertas.

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As flores da borda do disco se abrem antes, e as do interior depois. Uma ave pode pousar sobre os botões florais (marrons) e procurar pelo néctar das flores já abertas. Foto retirada do Flickr de José A. Conde: http://www.flickr.com/photos/ingag/4368226186/

Como espalhamos essa planta pelo mundo todo, em locais em que a espatódea não é nativa os polinizadores podem ser outros. Animais como morcegos, beija-flores e até mesmo lêmures podem fazer a polinização enquanto procuram pelo néctar da flor.

Mas nem todos os animais se dão tão bem em busca de alimento na espatódea. Vários estudos relataram a morte de abelhas que visitam a suas flores. No Brasil, a abelha sem ferrão Scaptotrigona postica, conhecida como tuiuva, é uma grande “vítima” dessa planta. Pesquisadores brasileiros acreditam que uma mucilagem presente no botão floral se mistura com o néctar da flor; tal mucilagem é toxica para as abelhas, que acabam morrendo quando ingerem o néctar. A morte de abelhas nativas pode trazer problemas para o ambiente natural por comprometer a polinização de outras espécies.

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Abelhas mortas dentro de flor de espatódea. Provavelmente, é a mucilagem produzida nos botões florais que intoxica as abelhas. Foto retirada de: http://www.ame-rio.org/2010/06/spathodea-campanulata-por-bob-beeman.html

Em alguns locais do globo, como na Austrália, a espatódea se alastra rapidamente pelas florestas nativas, e é considerada uma praga. No Brasil, o município de Bauru e tem um projeto de lei que visa proibir a produção de mudas dessa espécie.

É claro que a espatódea, bela africana, não é a causa de todos esses problemas. Encantado com a exuberância de suas flores, o Homem levou essa planta para os quatro cantos do mundo; mas esqueceu-se de pensar em como o ambiente e os seres vivos de cada local, que tem uma relação tão delicada uns com os outros, reagiriam à introdução da espécie.

Carol.

PS: para escrever esse texto, usei algumas informações retiradas do seguinte artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71082000000300019&script=sci_arttext

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Flores de Maio – Pyrostegia venusta

Muita gente já deve ter visto essa planta trepando em cercas à beira da estrada. As flores alaranjadas de Pyrostegia venusta, conhecida também como “cipó-de-São-João”, estão a toda nessa época do ano, colorindo os campos de todo o Brasil.

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O cipó-de-São-João vai escalando um grande Ipê. Fonte: http://guaranature.blogspot.com.br/2010/07/cipo-de-sao-joao-pyrostegia-venusta

Por florescer justamente nessa época do ano e pelo fato de suas flores serem abundantes vistosas, a Pyrostegia muitas vezes é usada em decorações de festas juninas. É daí que vem seu nome popular, “cipó-de-São-João”. As flores são longas e afiladas, as cinco pétalas são fundidas formando um tubo.

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As pétalas das flores são fundidas em um longo tubo alaranjado

O formato e a grande quantidade de néctar que as flores dessa espécie produzem são muito atrativos aos beija-flores, que acabam por polinizar a Pyrostegia. Aliás, não são só os beija-flores que gostam do néctar dessa planta… Acho que muitos curiosos que estão lendo o post já provaram um pouco desse líquido também!

Beija-flor bebendo néctar de Pyrostegia. Fonte: http://www.flickr.com/photos/wmlub/3773777182

O cipó-de-São-João é uma planta trepadeira: ele se arrasta pelo chão, pelas cercas, sobe em outras plantas, cobre o que estiver pelo caminho. Uma das estruturas que permitem que as trepadeiras cresçam desse jeito, escorando por aí, é a presença de gavinhas. No caso da Pyrostegia, a gavinha é um pedaço da folha que se modificou!

A folha inteira é dividida em três partes, chamadas folíolos. Dois desses folíolos são normais, mas o terceiro é modificado na forma de uma gavinha:

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Uma única folha de Pyrostegia é formada por três partes: dois folíolos normais e um folíolo modificado em gavinha

As gavinhas se enrolam em gravetos, ramos, arames, grama, em tudo! Dessa forma, elas permitem que a planta se escore em outros objetos.

Dizem que o cipó-de-São-João faz bem para a cútis! Não sei se isso é verdade, mas, tradicionalmente, as flores dessa espécie são usadas para o tratamento de vitiligo (manchas brancas que aparecem na pele). Além disso, suas folhas e raízes são remédio contra diarreia. Mas é preciso tomar cuidado, pois a ingestão excessiva dessa planta pode ser tóxica!

Por hoje é só!

Não deixe de observar as flores que aparecem pelo seu caminho (:

As partes florais

Bom, já que vamos falar sobre as plantas que florescem por aí, nada mais útil do que saber um pouco sobre as partes das flores.Image

A função das flores está ligada à reprodução das plantas: elas são nada mais que o órgão sexual das Angiospermas. Esse órgão sexual é dividido basicamente em quatro partes: cálice, corola, androceu e gineceu. Vamos conhecê-las?

1. Cálice: é a parte mais externa da flor. Sua principal função é proteger as partes férteis e mais delicadas da flor, que estão localizadas internamente. O cálice é formado por um conjunto de estruturas chamadas sépalas. Em muitas espécies, as sépalas são pequenas e verdes, não chamam muito nossa atenção; mas, em outras, elas podem ser grandes e coloridas; e, além de proteger as partes internas das flores, atuam na atração de polinizadores.
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2. Corola: é a segunda parte mais externa da flor, “vizinha” do cálice. A corola é muito famosa, colorida e vistosa; todos nós as conhecemos bem! Ela é dividida em estruturas chamadas pétalas, e tem duas funções principais: proteger as partes férteis e internas da flor; e chamar a atenção de quem passa por perto. Chamar a atenção é muito importante para uma planta com flor conseguir se reproduzir, pois elas geralmente dependem de ANIMAIS para tal! Mas ainda vou fazer um post só sobre polinização para explicar melhor essa história!
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3. Androceu: fica interno à corola. O androceu é o conjunto de estames, estruturas sexuais masculinas da flor. Os estames parecem uma antena, e são formados por duas partes: o filete (o “cabo” da antena) e a antera (a “ponta” amarelinha da antena). É nas anteras (a parte amarela) que os grãos de pólen são produzidos.
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4. Gineceu: a parte sexual feminina e mais central da flor. Ele pode ser formado por um ou mais carpelos. A abertura do carpelo se chama estigma; sua parede longa, estilete; já sua base expandida é conhecida como ovário. O estigma é a parte da flor que recebe o grão de pólen e dá condições para que ele germine; o estilete é a parede pela qual o grão de pólen cresce para levar seus gametas; e o ovário, repleto de óvulos, é o local onde ocorre a fecundação.
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É isso aí! São muitos nomes, mas é importante saber que todas essas “coisinhas” existem e desempenham, cada qual, um papel importante para a planta.

Flor mascote!

Como vocês devem ter percebido, o símbolo do blog é uma simpática florzinha! Mas esse não é um desenho qualquer, algo que criei da minha cabeça… Trata-se da representação de uma flor de “Quaresmeira”, que com certeza você já viu por aí!

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Lembrou?

Várias espécies de plantas são conhecidas como “Quaresmeiras”. Elas pertencem ao gênero Tibouchina, e são muito populares.

Olha só como é fácil reconhecer uma quaresmeira! Se ela estiver florida, é mole! Essas plantas produzem um enorme número de flores grandes e roxas, bem características. Cada flor tem cerca de 5cm de diâmetro, e talvez você veja uma abelha grande e preta rodeando perto delas.

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No interior da flor você vai encontrar estruturas masculinas e femininas, sendo que as masculinas lembram uma foice:

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Se a planta estiver sem flores, basta olhar com um pouco mais de atenção para os ramos dela. A primeira coisa que você vai perceber é que as nervuras das folhas são bem curvadas, formando um desenho arqueado; depois, veja que as folhas saem duas a duas dos ramos da árvore; e, finalmente, veja que os ramos tem um formato quadrangular, e não cilíndrico, como costumamos ver em outras plantas:

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Bem, agora você já sabe o que é o símbolo do Blog! E tenho certeza de que vai começar a ver Quaresmeiras por todos os lugares!

Abraços,

Carol

PS: Clique nas fotos para ver imagens maiores!

Apresentação

Ao longo dos anos em que estudei Biologia, percebi que a Botânica não é tão querida entre a maioria das pessoas, nem mesmo entre os biólogos:

 

“muitos nomes pra decorar”

 

                                            “planta é uma coisa muito chata, nem se mexe!”

 

“ainda bem que você gosta, Carol, porque se dependesse de mim…”

 

… Mas, na verdade, eu acho que a Botânica é mal compreendida, e daí vem sua “má fama”. Foi pensando nisso e em mais uma porção de coisas que resolvi criar esse Blog. Aqui, vou escrever o pouco que sei sobre biologia floral, o assunto que escolhi dentro da Botânica e que me fascina muito. Pretendo postar também informações gerais sobre flores, sua organização, para que servem, porque elas são importantes para a diversidade de um ambiente…

A cada mês, vou falar sobre uma espécie que está com flor na natureza e uma que está com flor na cidade (por isso o nome “Calendário Floral”). Essas informações das espécies com flores vão acabar ficando mais restritas ao que se vê no interior de São Paulo, que é onde moro; mas há vários casos de plantas que estão espalhadas por todo o Brasil (especialmente aquelas que vemos nas cidades); e as discussões gerais sobre biologia floral valem para o mundo todo! 

Espero que gostem do Blog!

Um grande abraço,
Carol

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