Flores de Junho – Tibouchina mutabilis

Manacá da serra…

Com um nome tão singelo, já podemos imaginar a beleza dessa planta. Por sua floração deslumbrante e tamanho pequeno, a variedade anã do manacá da serra é bem comum em calçadas e jardins das cidades brasileiras, onde floresce nos meses secos do meio do ano. Um pouco de atenção e com certeza você vai encontrar uma arvorezinha carregada de flores brancas e lilases, agraciando as ruas de seu bairro.

O manacá da serra, espécie muito usada na arborização urbana

Por ser bem maior, a variedade normal dessa espécie não é muito usado no paisagismo e, ao contrário das plantas anãs, ela floresce nos meses chuvosos do ano.

O manacá da serra é muito próximo de outra planta que já conhecemos aqui no Blog, a quaresmeira. Tanto o manacá da serra quanto as espécies de quaresmeiras pertencem ao mesmo gênero, Tibouchina. Isso quer dizer que elas são bem aparentadas.

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O manacá da serra é uma planta aparentada à quaresmeira. Ambas pertencem à família Melastomataceae e ao gênero Tibouchina.

Mas existe uma diferença que salta aos olhos quando comparamos um manacá da serra com uma quaresmeira: as flores das primeiras mudam de cor conforme amadurecem! Logo que seus botões abrem, suas cinco pétalas são alvas; mas com o passar dos dias, elas se tornam lilases. O efeito é uma delicada combinação de cores, uma árvore que mais parece um buquê de flores vivo.

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As cores das flores variam entre o branco e o lilás.

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Carol

Natureza hermafrodita

Você pode nem imaginar, mas a mudança de sexo – ou a presença dos dois sexos ao mesmo tempo no mesmo organismo – é algo muito comum na natureza. Os seres vivos que apresentam tanto estruturas reprodutivas masculinas como femininas são chamados de hermafroditas (em alusão ao deus grego Hermafrodito, filho dos deuses Hermes e Afrodite, que não tinha sexo definido).

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Estátua do deus Hermafrodito. Imagem: http://ocw.unican.es/humanidades/mitologia-greco-romana/mitologia-greco-romana/Materiales%20de%20clase/modulo-5

Na natureza, os hermafroditos podem ser do tipo simultâneo ou não. Os hermafroditos simultâneos são seres que se comportam ao mesmo tempo como fêmeas e como machos. Já os hermafroditas não simultâneos são aqueles que tem os comportamentos feminino e masculino separados ao longo do tempo. Os hermafroditas não-simultâneos podem ser protândricos ou protogínicos.

Seres protândricos:
Os seres protândricos (proto = primeiro; andro = masculino) são aqueles em que maturação das estruturas sexuais masculinas precede a maturação das estruturas femininas. A maioria das esponjas do mar (animais do Filo Porifera), por exemplo, é protândrica.

A maioria das esponjas do mar é protândrica. Foto retirada de: http://cienciasforadaescola.blogspot.com.br/

Seres  protogínicos:
Os seres protogínicos (proto = primeiro; gino = feminino), ao contrário dos protândricos, são aqueles em que maturação das estruturas sexuais femininas acontece antes da maturação das estruturas masculinas. As espécies de garoupas (peixes da família Epinephelinae), por exemplo, são protogínicas.

Uma garoupa vermelha (Cephalopholis miniata). As garoupas são peixes protogínicos. Foto: http://waterworld.pk/index.html

Hermafroditas vegetais:

O hermafroditismo e a mudança de sexo é algo bem mais comum entre os vegetais do que entre os animais. A maioria das espécies de plantas apresenta flores com estruturas masculinas (androceu) e femininas (gineceu) e, portanto, são hermafroditas.

Além disso, dependendo da espécie, a maturação da parte masculina pode ocorrer antes ou depois da maturação da parte feminina, o que torna as flores protândricas ou protgínicas. Para as plantas com flores, mudar de sexo é uma estratégia muito importante para evitar a autopolinização e promover a polinização cruzada. E, assim como acontece no reino animal, entre os vegetais existem espécies protândricas e protogínicas.

As espécies de Helianthus (como o girassol), por exemplo, apresentam flores protândricas:

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O Helianthus paradoxus, com suas flores protândricas. Foto por Robert Sivinski: http://calphotos.berkeley.edu/cgi/img_query?enlarge=0000+0000+1004+0070

Já as epécies de Annona, como a fruta do conde, têm flores protogínicas. Note abaixo como os múltiplos estigmas da flor estão brilhantes, indicando a maturidade da parte feminina da flor:

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©W. D. Hawthorne. Uma flor de Annona glabra em sua fase feminina. Dentro de horas, a flor protogínica entrará em sua fase masculina. Foto de William D. Hawthorne: http://herbaria.plants.ox.ac.uk/vfh/image/index.php?item=109

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Carol