Flores de Junho – Tibouchina mutabilis

Manacá da serra…

Com um nome tão singelo, já podemos imaginar a beleza dessa planta. Por sua floração deslumbrante e tamanho pequeno, a variedade anã do manacá da serra é bem comum em calçadas e jardins das cidades brasileiras, onde floresce nos meses secos do meio do ano. Um pouco de atenção e com certeza você vai encontrar uma arvorezinha carregada de flores brancas e lilases, agraciando as ruas de seu bairro.

O manacá da serra, espécie muito usada na arborização urbana

Por ser bem maior, a variedade normal dessa espécie não é muito usado no paisagismo e, ao contrário das plantas anãs, ela floresce nos meses chuvosos do ano.

O manacá da serra é muito próximo de outra planta que já conhecemos aqui no Blog, a quaresmeira. Tanto o manacá da serra quanto as espécies de quaresmeiras pertencem ao mesmo gênero, Tibouchina. Isso quer dizer que elas são bem aparentadas.

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O manacá da serra é uma planta aparentada à quaresmeira. Ambas pertencem à família Melastomataceae e ao gênero Tibouchina.

Mas existe uma diferença que salta aos olhos quando comparamos um manacá da serra com uma quaresmeira: as flores das primeiras mudam de cor conforme amadurecem! Logo que seus botões abrem, suas cinco pétalas são alvas; mas com o passar dos dias, elas se tornam lilases. O efeito é uma delicada combinação de cores, uma árvore que mais parece um buquê de flores vivo.

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As cores das flores variam entre o branco e o lilás.

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Carol

Flores de Maio – Spathodea campanulata

Spathodea… Esse nome me é familiar”… E é mesmo! Se você já ouviu algumas músicas do Nando Reis, deve ter se deparado com uma que se chama “espatódea”. Mas, afinal, ao que é que o artista se refere? O que é uma espatódea?

 

A espatódea é uma planta aparentada com os ipês e com o cipó-de-São-João. Conhecida também como “bisnagueira” e “tulipa africana”, suas flores são grandes e vistosas. Com certeza você já viu árvores dessa espécie perto da sua casa! Elas são muito populares como plantas ornamentais; estão em calçadas, fazendas, sítios, escolas, terrenos…

Apesar de essa planta ser tão difundida no Brasil, ela não é uma planta nativa! A espatódea é originária das florestas tropicais que existem nas regiões central e ocidental da África; mas o homem a espalhou pelo mundo todo para fins paisagísticos. Hoje em dia, além de ser encontrada na África, essa planta está nas Américas, na Ásia, e na Oceania. Quer dizer… Ela está distribuída ao redor de todo o mundo tropical!

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As bolinhas amarelas indicam a distribuição atual da espatódea pelo mundo. Perceba que elas estão presentes nas partes tropicais e equatorial do globo. Imagem retirada de: http://www.discoverlife.org/mp/20q?search=Spathodea+campanulata

Suas flores são grandes: as cinco pétalas são unidas entre si, compondo uma corola em forma de sino. A cor das flores varia entre o vermelho e o amarelo, as bordas pétalas geralmente são bem amarelas. O interior da flor tem uma combinação de cores contrastantes, que podem ajudar a direcionar os polinizadores até o fundo da flor. Esses padrões de cores que direcionam o polinizador são conhecidas como “guias de recurso”.

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Flores vermelhas de borda amarela, manchadas no interior. Foto retirada do Flickr de Karl Gercens. http://www.flickr.com/photos/karlgercens/3277854180/

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Detalhes. Os cinco lobos correspondem às cinco pétalas fundidas da flor; o interior da corola é mais claro e tem nervuras contrastantes, que podem “guiar” o polinizador. Foto tirada no dia 09/Maio/2012 em São Carlos, SP.

Por falar em polinizador, como a espatódea está espalhada pelo mundo todo, hoje em dia existem muitos tipos de animais responsáveis pela polinização de suas flores. Na sua região nativa, essa espécie é polinizada principalmente por aves “não beija-flores”, como papagaios.

As flores da espatódea desabrocham em cachos que parecem discos: os botões externos do disco abrem primeiro, e os internos abrem depois. Essas inflorescências em forma de disco facilitam muito a vida das aves polinizadoras, pois elas podem pousar sobre os botões ainda fechados para procurar o néctar das flores abertas.

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As flores da borda do disco se abrem antes, e as do interior depois. Uma ave pode pousar sobre os botões florais (marrons) e procurar pelo néctar das flores já abertas. Foto retirada do Flickr de José A. Conde: http://www.flickr.com/photos/ingag/4368226186/

Como espalhamos essa planta pelo mundo todo, em locais em que a espatódea não é nativa os polinizadores podem ser outros. Animais como morcegos, beija-flores e até mesmo lêmures podem fazer a polinização enquanto procuram pelo néctar da flor.

Mas nem todos os animais se dão tão bem em busca de alimento na espatódea. Vários estudos relataram a morte de abelhas que visitam a suas flores. No Brasil, a abelha sem ferrão Scaptotrigona postica, conhecida como tuiuva, é uma grande “vítima” dessa planta. Pesquisadores brasileiros acreditam que uma mucilagem presente no botão floral se mistura com o néctar da flor; tal mucilagem é toxica para as abelhas, que acabam morrendo quando ingerem o néctar. A morte de abelhas nativas pode trazer problemas para o ambiente natural por comprometer a polinização de outras espécies.

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Abelhas mortas dentro de flor de espatódea. Provavelmente, é a mucilagem produzida nos botões florais que intoxica as abelhas. Foto retirada de: http://www.ame-rio.org/2010/06/spathodea-campanulata-por-bob-beeman.html

Em alguns locais do globo, como na Austrália, a espatódea se alastra rapidamente pelas florestas nativas, e é considerada uma praga. No Brasil, o município de Bauru e tem um projeto de lei que visa proibir a produção de mudas dessa espécie.

É claro que a espatódea, bela africana, não é a causa de todos esses problemas. Encantado com a exuberância de suas flores, o Homem levou essa planta para os quatro cantos do mundo; mas esqueceu-se de pensar em como o ambiente e os seres vivos de cada local, que tem uma relação tão delicada uns com os outros, reagiriam à introdução da espécie.

Carol.

PS: para escrever esse texto, usei algumas informações retiradas do seguinte artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71082000000300019&script=sci_arttext