A classificação da vida

A ação de classificar elementos faz parte da natureza humana. Em nossos guarda-roupas, geralmente guardamos as calças em um canto, as blusas em outro, as meias numa gaveta, etc… Estamos classificando nossas roupas de acordo com seu tipo, sendo que esses tipos são definidos de acordo com o formato e com a função delas.

Dessa maneira, os biólogos, seres humanos que são, criaram um sistema para classificar os seres vivos que tanto estudam. Esse sistema de classificação se chama Taxonomia, palavra que vem do grego: táxis quer dizer classificação, e nómos quer dizer “regra”. A Taxonomia, então, é um conjunto de regras que usamos para classificar os seres vivos; com ela os biólogos criaram as categorias nas quais as espécies são agrupadas.

A categoria mais baixa da taxonomia é a ESPÉCIE, que agrupa seres vivos muito semelhantes entre si:
– nós, seres humanos, somos todos da espécie Homo sapiens;
– já as alfaces são da espécie Lactuca sativa;
– os mais famosos dos coliformes fecais são da espécie Escherichia coli.

Acima da categoria de espécie, temos a categoria de GÊNERO. Cada gênero agrupa uma ou mais espécies que são parecidas entre si:
– o Homem é a única espécie do gênero Homo;
– a alface normal e a alface brava são do gênero Lactuca;
– várias espécies de bactérias estão dentro do gênero Escherichia: E. coli, E. albertii e E. blattae, por exemplo.

A alface comum (Lactuca sativa) e a alface brava (Lactuca virosa): duas espécies do mesmo gênero (Lactuca). Imagens: http://cs.wikipedia.org/wiki/Soubor:Lactuca_sativa-whole_plant_top.JPG e http://www.tranceplants.net/product-info.php?pid122.html

Quando existem vários gêneros parecidos entre si, eles são agrupados na categoria FAMÍLIA:
– os Humanos (gênero Homo) e os chimpanzés (gênero Pan) pertencem à família Hominidae;
– as alfaces (gênero Lactuca) e os girassóis (gênero Helianthus) são aparentados, e pertencem à família Asteraceae;
– as bactérias dos gêneros Escherichia e Salmonella são da família Enterobacteriaceae.

O chimpanzé (Pan troglodytes) e o homem (Homo sapiens) são espécies de gêneros distintos, mas que pertencem à mesma família (Hominidae). O mesmo acontece com os animais que eles abraçam (tigre: Panthera tigris; e gato: Felis silvestris; ambos da família Felidae). Fotos: http://www.funtim.com/dgb.html e http://pets.webmd.com/cats/ss/slideshow-truth-about-cat-people-and-dog-people

Essa classificação de formas de vida, que inclui grupos dentro de grupos, continua acima do nível de família. As famílias parecidas entre si são colocadas dentro de uma mesma ORDEM; já as ordens são colocadas numa mesma CLASSE; as classes, em um FILO ou DOMÍNIO; e os filos em um REINO. Os reinos juntos agrupam todos os seres vivos que pudermos imaginar. Veja o esquema-resumo que fiz para tentar esclarecer toda essa confusão de nomes:

Algo interessante que temos que notar é que a classificação dos seres vivos nesse sistema taxonômico reflete a história evolutiva das espécies. Os organismos muito “aparentados” entre si, são da mesma espécie; os que são pouco “aparentados” são de espécies diferentes no mesmo gênero; os que são ainda menos aparentados, pertencem a gêneros diferentes de uma mesma família, e assim por diante:

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Relação entre a classificação e o parentesco evolutivo de algumas espécies de carnívoros. Esquema retirado do livro “Fundamentos da Biologia Moderna”, de José M. Amabis e Gilberto R. Martho.

Nomes duplos e complicados:

Não sei se vocês perceberam, mas as espécies sempre trazem o nome de seu gênero e mais um nome. Esse tipo de nomenclatura é uma regra. Chama-se “nomenclatura binomial”, foi criada pelo grande naturalista inglês Carolus Von Linnaeus, no século XVIII.

Além disso, outra coisa que devem ter visto é que os nomes de gêneros e espécies aparecem em itálico: essa é outra norma da nomenclatura dos seres vivos.

Talvez o aspecto mais conhecido dos nomes científicos seja o fato de eles serem tão complicados. Todos os nomes científicos devem estar em Latim ou Grego antigo; ou então devem ser latinizados. Isso faz com que cientistas do mundo todo conheçam a mesma espécie pelo mesmo nome, o que evita confusões. Um brasileiro chama de “macieira” uma planta que os ingleses chamam de “appletree” e os franceses chamam de “pomme”… Mas em qualquer lugar do mundo, o nome científico dessa árvore será Mallus domestica.

Para concluir, podemos dizer que a classificação dos seres vivos permite um bom diálogo entre os cientistas, e reflete a história evolutiva (o “grau de parentesco”) das espécies.

Bom, pessoal… O assunto pode ser complicado, mas é muito importante. Espero que todos tenham entendido!

Carol

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